(...) Eu entrei.
Quando fecho a porta, vejo que não estou no meu porão, mas em um lugar totalmente novo. Um lugar escuro, frio, com uma atmosfera muito mais densa e suja da qual eu havia me acostumado. À minha frente, existia uma trilha que se estendia por alguns quilômetros, não enxergando o seu final. Atrás, uma enorme parede com a porta que eu entrara, e ao meu redor, um conjunto de árvores mortas, semi cobertas por arbustos altos espinhosos, com flores vermelhas nas pontas.
Eu não sabia porque estava naquele lugar, mas era óbvio para onde eu deveria ir.
Fui caminhando lentamente, aos poucos, ele se tornava mais estreito e, em alguns momentos, pequenos tecidos da minha roupa ficavam presos aos espinhos do arbusto, o que me fez ir com mais cautela.
Após 10 minutos, o caminho voltava ao normal e deixava de ser estreito. Os arbustos foram desaparecendo e dando lugar a um muro de pedras cinzas e largas, com aparentemente 5 metros de altura.
Conforme os meus passos iam ficando pra trás, a atmosfera ia ficando mais leve, mais fácil de respirar. Me sentia calmo, bem, nenhum problema poderia se agarrar as minhas pernas, me puxar e arrastar para as complexas entranhas fraternais da tristeza.
O bem estar era tão imenso, que não notei quando cheguei ao fim da trilha.
A frente de um portão de grades sujas e imensas, estava uma figura, aparentando 1,60, capuz ao rosto, corpo coberto pelo manto de cor cinza esverdeado, e pés descalços. Não conseguia enxergar aonde estavam ou deveriam ficar suas mãos.
- Senhor? Você poderia me informar aonde eu estou?
Lentamente o ser deu um passo para frente. Consegui ouvir perfeitamente o barulho de correntes, uma se chocando contra a outra.
A cada passo, os barulhos das correntes ficavam mais fortes, quase ao ponto de se tornarem insuportáveis. Foi quando o homem olhou para mim.
Seus olhos me encaravam, e eu não conseguia parar de olha-los. Conseguia enxergar todas as memórias, e segundo a segundo da vida daquele ser. Ele havia sofrido. Sofrido muito.
Cada pegada em terra firme que o homem havia deixado estava coberta por larvas e besouros, como se eles fossem nutridos pelo espaço aberto da sustentação.
Suas mãos se estenderam, puxando o manto e mostrando um pouco a identidade do ser.
Não havia boca e nem nariz. A face era lisa e pálida, com sinais de cortes próximos aos olhos. Em suas mãos, em cada junção de seus dedos estava uma argola presa à carne, e das argolas se estendiam correntes que iam para buracos nas paredes.
A criatura parou. Eu estava aterrorizado. A cada segundo que a criatura olhava para mim, lembranças horríveis vinham a minha mente. Todo o ar de bem estar havia se transformado em lágrimas, desespero e tortura. Meu corpo estava tremendo, minhas pernas não respondiam ao meu controle, não conseguia sequer pensar em falar alguma coisa, a não ser berros escandalosos e gemidos de dores passadas. Cada expressão no rosto daquele ser lembravam minhas dores e sofrimentos, e sentia como se estivesse sendo obrigado a ver aquilo.
A criatura levemente estendeu a palma da mão para cima, detalhando a boca que havia sido costurada nela. Os lábios negros e sujos lentamente se abriram.
Eu nunca vou me esquecer desse dia.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
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Adorei!
ResponderExcluirLeiam em voz alta ouvindo Bauhaus!
Quero a continuação!
Beijo.
Muito bom... Fiquei com gostinho de quero mais!
ResponderExcluir...
Como a Malú disse... Quero a continuação! [2]
QUERO MAIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIIS!
ResponderExcluirNão me deixe no aguardo, grrr.